15 outubro 2011
07 outubro 2011
''o término''
''De repente,não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
e de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo,o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente,não mais que de repente''
Vinicius de Moraes -
''Soneto de Separação''
Parafraseando Dostoiéoski
Tô sentindo o estômago queimar.
Querendo explodir toda essa mistura que tenho aqui dentro.
A raiva,a insuficiência, a insegurança.o desamor,o vazio,o desapego... a incapacidade.
Queria rasgar uma veia as vezes,só pra ver se jogo logo essa sensação horrível que invade meu subconciênte.
Parafraseando Dostoiéoski, ''sou mestre na arte de me falar em silêncio''.
Sinto meio que vivo tragédias inteiras sem pronunciar uma palavra sequer.
Talvez nem sejam tragédias,e não seja da vida de ninguém e aos olhos deles, não seja tudo tão difícil.Não seja tudo tão complicado e intenso quanto é aqui dentro.
É por isso que eu me calo.Mesmo querendo gritar aos quatro ventos e vomitar essa porra toda, no fim de me aliviar e no meio disso, encontrar um pouco de compreensão.
Quero só o abraço.
Quero braços.
Um corpo esguio,magro e cheio de braços, com um rosto sem boca. Um rosto apena com olhos.
E rezo que sejam olhos compreensiveis.Daqueles que entendem.
Só presciso desse aperto,desse abraço e desse olhar com esse ar de ''tá tudo bem,acalma esse coraçãozinho aflito e dorme''
Não quero palavras.Nem sermões.
Talvez seja adolescante demais pra esse mundo.Talvez seja fraca demais e fraqueje sempre e o tempo todo.
Mas busco apenas que os sorrisos e as alegrias com o entuito de aliviar essa dor.Mas nunca é o suficiênte.
Na verdade,nunca foi.
Aí, quando choro, me sinto pequena demais,como um grão insignificante,jogado no infinito banco de areia, chamado de sociedade.E fico mais fraca ainda por esconder, por olhar pros lados ao chorar para ver se ninguém notou e suspirar aliviada.
Por não confessar.
Por não confiar.
Por não compartilhar.
Mas estou tão acostumada com a incompreensão,com os olhares tortos e os narizes impinados me chamando de mais uma descontrolada aos 17.
E acabo m calando.Mais uma vez. Só pra não perder o costume de aguentar tudo calada.
Queimando mais uma vez esse estômago. E pior: esse coração.
05 outubro 2011
04 outubro 2011
22 anos,drogado e prostituido.
Ele esta ali, de olhos arregalados tentando controlar suas condolências.Tenta e tenta,mas o corpo não responde ao comando do cérebro.Chega a ser desesperador as tremedeiras, a fala rapinada que nunca,nunca acaba.Nunca.
Tenta se afugentar na mais alta bebida,nos cigarros com as fumaças mais intermináveis, tragadas de uma vez só.Ele vai de uma ponta a outra do corredor,tentando comunicação com vários,devido a sua incapacidade de conseguir,a nem um instante, se manter parado ou compenetrado à tudo.Aos pensamentos,a mente, o próprio corpo e principalmente a sua alma gritante,mas sempre presa.
Na cabeça,a dúvida se deverá ou não continuar.
Em um lado,sim.Pois essa adrenalina é uma coisa que o desperta interesse total.Talvez a única que o desperte interesse em qualquer coisa.Já em outro ele quer parar pois não pode se conter .... Sua frio, briga, incorpora tiques nervosos,e a dor de ser espancado no estômago,o ataca sempre que a lembrança do maldito sonegado por outros dados, para a miséria dele mesmo.Agora ele apenas espera mesmo que essa sensação maléfica passe, para que retorne a seu estado normal...
Todas as noites estão jogadas a luxúria,destinadas ao toques de desconhecidas e desconhecidos em seu corpo sempre assediado sem censuras ou inibições.É a criança da noite, trajando o corpo revestido de desenhos e rabiscos, pelas ruas e avenidas dessa cidade. Experimenta-se cada dia a mais,usando isso como uma saída pra não sentir a solidão fervendo as veias,como sua inútil válvula de escape.Só para camuflar a frustração de não sentir mais nada, nem prazer,nem vontade, nem a paz que tanto procura.
Percebendo que a muito tempo,seu estado de paz, encontra-se agora no conflito com o caos.Mas sendo usado e abusado pela noite,ele ao menos não paira somente na alucinação de fumar seu baseado ou usar seu doce. Ou qualquer que seja a adrenalina de sempre.
Após o entrelace de corpos,a troca de prazeres noturnos, o perfume forte da orgia continua impregnada na pele.Apesar dos vários banhos, sua alma nunca se lavava, nunca estava totalmente livre daquele cheiro.Acede seu singelo cigarro e lá se fica, em tragadas suaves relembrando a noite,sem nenhum sorriso no rosto.Na verdade,relembrando e sentindo o mesmo vazio e o mesmo nada de sempre.Só lembrando da noite.
Chega por um instante a cerrar os olhos baixos,delineados, que antes eram arregalados e curiosos,deixando-se vencer pelo cansaço e pela busca do sossego que tanto quer.Acaricia o rosto suavemente e com os olhos ainda cerrados, sente o toque do filtro do cigarro na boca,tragando pela última vez.
Descansa,respira intensamente e logo sente o sossego,a paz e a serenidade que não teve a vida toda.
Agora está em paz.
Agora pode ''viver''.
BART (IS) DEAD.
texto original de Isabella Cristiny ,
edição e continuação : eu mesma,caralho (:
02 outubro 2011
Assinar:
Comentários (Atom)


