07 outubro 2011
Parafraseando Dostoiéoski
Tô sentindo o estômago queimar.
Querendo explodir toda essa mistura que tenho aqui dentro.
A raiva,a insuficiência, a insegurança.o desamor,o vazio,o desapego... a incapacidade.
Queria rasgar uma veia as vezes,só pra ver se jogo logo essa sensação horrível que invade meu subconciênte.
Parafraseando Dostoiéoski, ''sou mestre na arte de me falar em silêncio''.
Sinto meio que vivo tragédias inteiras sem pronunciar uma palavra sequer.
Talvez nem sejam tragédias,e não seja da vida de ninguém e aos olhos deles, não seja tudo tão difícil.Não seja tudo tão complicado e intenso quanto é aqui dentro.
É por isso que eu me calo.Mesmo querendo gritar aos quatro ventos e vomitar essa porra toda, no fim de me aliviar e no meio disso, encontrar um pouco de compreensão.
Quero só o abraço.
Quero braços.
Um corpo esguio,magro e cheio de braços, com um rosto sem boca. Um rosto apena com olhos.
E rezo que sejam olhos compreensiveis.Daqueles que entendem.
Só presciso desse aperto,desse abraço e desse olhar com esse ar de ''tá tudo bem,acalma esse coraçãozinho aflito e dorme''
Não quero palavras.Nem sermões.
Talvez seja adolescante demais pra esse mundo.Talvez seja fraca demais e fraqueje sempre e o tempo todo.
Mas busco apenas que os sorrisos e as alegrias com o entuito de aliviar essa dor.Mas nunca é o suficiênte.
Na verdade,nunca foi.
Aí, quando choro, me sinto pequena demais,como um grão insignificante,jogado no infinito banco de areia, chamado de sociedade.E fico mais fraca ainda por esconder, por olhar pros lados ao chorar para ver se ninguém notou e suspirar aliviada.
Por não confessar.
Por não confiar.
Por não compartilhar.
Mas estou tão acostumada com a incompreensão,com os olhares tortos e os narizes impinados me chamando de mais uma descontrolada aos 17.
E acabo m calando.Mais uma vez. Só pra não perder o costume de aguentar tudo calada.
Queimando mais uma vez esse estômago. E pior: esse coração.