Ela se perdia.
Perdia a sanidade,as fraquezas,os medos e as incertezas que outrora pareciam tão presentes.Seu corpo quase despido estava imerso em melodia.. tão suave.Movia-se com tal sensualidade que ele jamais imaginava descobrir através de suas vestes,sua prepotência,seu orgulo e sua fé...Os cabelos eram, como ondas, naturalmente leves e soltos combinando com sua alma.Rodopiando e acompanhando o corpo esquio e proporcional, naquele lustra imiluminado que só reluzia seu brilho.
Apesar do ambiente, das vestimentas (ou falta delas) e da desesperada situação de dançar por dinheiro,seus olhos em momento algum transmitiram vulgaridade.Seus olhos eram como portas pra alma e embora muitos a olhassem,poucos reparavam em seus olhos,que gitavam por além de uma boa noite de sono,por respeiro e uma dose de compreensão.
Não demorou muito para ela notar sua presença e muito manos para reconheçer-lhe de outos carnavais.Ao encontar seu olhar, corou.Coração foi a mil e a insegurança havia voltado a lhe perseguir...E a essa altura, os olhos desviavam com tal frequência,procurando desesperadamente outro foco,evitando um maior constrangimento.
Ele fez-se de indiferente e pretendeu manter-se assim, apesar de os olhos tremerem e se sentir-sem intensamente atraidos pelos dela,mesmo sendo seu olhar de cantinho de olho,calado e estranhamente curioso.Não pode se conter.Comtemplou-a descaradamente como um menino pobre a comtenplr um brinquedo caro na vitrine.Os olhos fuzilavam e percorriam seu rosto, corpo e expressão tão desesperadamente.
A vista dela congelou a ver sua admiração obsessiva e tímida, porém nada contida.Baixou a vista como reflexo inicial, mas passou aos poucos, a encarar-lhe com certa instigãção e as poucos foi perdendo a insegurança, o medo da descoberta (já feita).Sintiu a firmeza nos olhos do rapaz.Não era aquela vontade sexual, apesar de toda a tensão no local...era tudo, menos isso.
Ao fim da noite, ele retornou a sua casa e ela voltou ao apartamento.
Sentiram o mesmo sentimento e compartilharam no olhar algo que seria anormal partilhar naquele momento e muito menos naquele local.
Foi amor.
E na outra noite eles se amaram em silêncio e entreolhares,e na outra noite também, e na outra e na outra e na outra...
ingrid nobre.